O Flamengo enfrenta uma preocupação financeira nesta reta final de 2026. Além da possibilidade de perder o patrocinador master, o clube não conseguiu alcançar a meta estabelecida para a venda de jogadores nesta temporada.
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As principais janelas de transferências do Brasil e do exterior fecharam em setembro. A exceção fica por conta da Arábia Saudita, que ainda possui mais alguns dias para realizar contratações. Ainda assim, o Flamengo ficou distante do objetivo previsto no orçamento, mesmo com os valores que receberá pela transferência de João Gomes na Inglaterra, do Wolverhampton para o Aston Villa.
Para 2026, o clube projetou aproximadamente R$ 250 milhões em receitas com negociações de jogadores. Até o momento, porém, o Flamengo arrecadou R$ 171,6 milhões, ficando abaixo da previsão.
A principal venda do ano envolveu o jovem Ryan Roberto, negociado com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, por 9,5 milhões de euros, cerca de R$ 56,3 milhões. Como o Flamengo possuía 70% dos direitos econômicos do atleta, o clube ficou com aproximadamente R$ 39,4 milhões.
O cenário, além disso, voltou a colocar a formação de jogadores no centro dos debates internos. Nos últimos anos, o Flamengo negociou diversos jovens por valores considerados baixos para o atual mercado. Lorran, Victor Hugo e Guilherme, por exemplo, deixaram o clube por cerca de R$ 22 milhões somados.
O valor chama ainda mais atenção quando comparado à folha salarial do elenco profissional. A quantia arrecadada com os três jogadores não chega sequer ao custo de um mês dos salários do grupo principal.
Base ganha atenção no Flamengo
Além das vendas, a utilização dos jogadores formados no clube também gera questionamentos. Atualmente, apenas Evertton Araújo e Wallace Yan, que posteriormente acabou negociado com o Bragantino, conseguiram conquistar espaço no elenco profissional.
Por outro lado, Ryan Roberto, um dos destaques do Flamengo na última Libertadores Sub-20, optou pela transferência para o futebol europeu. O jovem recusou uma proposta de renovação porque acreditava que teria poucas oportunidades entre os profissionais.
Apesar dos resultados expressivos nas categorias de base, o clube ainda busca aumentar a quantidade de jovens capazes de chegar ao time principal. O Flamengo conquistou dois Brasileiros Sub-20, em 2019 e 2023, além de duas Libertadores, em 2024 e 2025, e dois Mundiais, em 2024 e 2025.
Nesse contexto, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já demonstrou preocupação com a atual geração. Em julho, o dirigente afirmou que o clube precisa diminuir a distância entre as categorias de base e o futebol profissional.
— Também é preciso olhar para a base. Não temos jogadores para subir? Hoje, quando observamos o elenco, entendemos que existe um gap entre o que temos no sub-20 do Flamengo e o futebol profissional. Isso me força a fazer algumas escolhas e trazer jogadores mais caros. Isso é sustentável no longo prazo? Não. Espero que, ao longo dos anos, tenhamos, em todas as temporadas, três, quatro, cinco, seis, oito ou 10 jogadores da base capazes de preencher esses espaços.
Assim, enquanto o Flamengo mantém uma política de grandes investimentos no elenco, a diretoria também precisa encontrar maneiras de aumentar a participação dos jovens e transformar a base em uma fonte mais relevante de receitas e opções para o futebol profissional.
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