
O relatório da FIFA com o detalhamento das transferências de atletas revela a gigantesca montanha que o futebol feminino precisa escalar para receber os investimentos que atendam a uma demanda de evolução mais veloz do que a atual. Na janela deste início de 2026, o Brasil realizou zero negociação internacional envolvendo dinheiro na modalidade, considerando entrada de jogadoras no mercado nacional ou saída para o exterior. Isso quer dizer que nenhum clube do país recebeu ou enviou qualquer valor por venda ou empréstimo para as outras ligas do mundo.
Para efeito de comparação, inseri no gráfico, ao mesmo tempo, os dados de Brasil, sede da próxima Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027; Espanha, campeã do mundo em 2023; e Estados Unidos, que conquistou a Copa Feminina de 2019. Enquanto os clubes dos EUA desembolsaram 2.4 milhões de dólares para reforçarem seus elencos e receberam 1,6 milhão com as transferências de saída, os da Espanha gastaram 188 mil e registraram a entrada de 538 mil dólares em seus cofres. Já, no Brasil, nada foi computado.



O número é alarmante porque os valores resultantes das compras e vendas de jogadores, juntamente com os direitos de transmissão, são os combustíveis que fazem o mundo da bola girar na velocidade dos altos investimentos. Se a movimentação de dinheiro com as negociações é colossal, a qualidade da estrutura é maior, os centros de treinamento são avançados, os vestiários têm equipamentos de ponta, os profissionais recebem salários mais justos e por aí vai.
Em 2026, completa-se dez anos da iniciativa da FIFA (e, por efeito cascata, CONMEBOL e CBF) de obrigar que os clubes tenham equipes femininas para receberem o seu licenciamento e estarem aptos à disputa de competições como Mundial de Clube, Libertadores, Sudamericana e Brasileirão. Esse passo recebeu tratamento de revolução à época e, considerando o histórico, de fato, foi. Mas a manutenção de times ou a associação a clubes parceiros que o faça garante apenas existência, não a sustentabilidade e o crescimento do negócio.

Um caminho que vislumbro é o estímulo à prática nas redes públicas escolares municipais, estaduais e federais. Parece óbvio, mas o ano é 2026 e o tema ainda é tabu em grande parte do nosso território. Além disso, precisamos aproximar as famílias e a partidas de futebol feminino, com campanhas e vantagens para o aumento da média de público, principalmente, infantil, nas arquibancadas. A Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 será no Brasil e não faltarão oportunidades para aproximarmos as meninas do desejo de prática do esporte. A roda precisa de talento para girar mais rápido.

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