A decisão dos clubes de reduzir o número de jogadores estrangeiros relacionados por partida a partir de 2027 continua gerando discussões no futebol brasileiro. Desta vez, José Boto, diretor de futebol do Flamengo, criticou a mudança e afirmou que a medida pode diminuir o nível técnico do Campeonato Brasileiro.
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Em entrevista ao Coluna do Fla, o dirigente explicou que a redução pode dificultar a permanência de jogadores estrangeiros de destaque no país. Além disso, Boto argumentou que os clubes brasileiros já enfrentam dificuldades para competir financeiramente com o mercado europeu.
— Como estrangeiro, que trabalha no Brasil, mas que já trabalhou em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro. Pelo contrário, vai por a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai abaixar a qualidade da liga brasileira — disse Boto, em entrevista ao “Coluna do Fla”.
Boto sugere mudança nas transferências
Além de criticar a redução dos estrangeiros, José Boto apresentou uma alternativa para a CBF. O dirigente defendeu o fim da regra que impede um jogador de trocar de clube depois de disputar 12 partidas pelo mesmo time no Brasileirão.
A proposta entrará novamente na pauta dos clubes em uma próxima reunião com a entidade. Para Boto, a atual regra prejudica a movimentação financeira dentro do futebol brasileiro.
— Acho que há uma medida que essa sim faria todo o sentido, que era a de não limitar as transferências entre clubes brasileiros a um número de jogos, porque isso é algo que não existe em mais nenhuma parte do mundo e isso faz com que o dinheiro saia daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro — opinou Boto.
CBF aprova redução gradual
Atualmente, os clubes podem relacionar até nove estrangeiros em cada partida. Entretanto, a proposta aprovada pela CBF prevê uma redução gradual desse número.
A partir de 2027, cada equipe poderá relacionar no máximo oito estrangeiros. Depois, o limite cairá gradualmente até chegar a cinco jogadores estrangeiros por partida em 2030.
A entidade adotou a redução progressiva para diminuir o impacto sobre os clubes que já possuem contratos em vigor. Flamengo e Bahia votaram contra a mudança durante a reunião.
Mudança nas inscrições de jovens
Por outro lado, os clubes também aprovaram uma alteração nas regras de inscrição do Brasileirão com o objetivo de incentivar a utilização de jogadores mais jovens.
A partir de 2027, cada equipe poderá inscrever até 50 atletas na competição. Desse grupo, pelo menos 20 jogadores deverão ter até 23 anos.
Além disso, a CBF pretende aumentar gradualmente essa exigência. Em 2030, os clubes deverão formar seus elencos com 25 jogadores de idade livre e outros 25 com menos de 23 anos.
Assim, enquanto a entidade busca ampliar o espaço para jovens jogadores, a redução do limite de estrangeiros segue provocando debates entre os clubes brasileiros.
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