
Quem hoje recebe informações, atualizações dos placares em tempo real e assiste aos vídeos dos ídolos do futebol, diretamente, pelo celular imagina como era gastar uma grana em um cartão telefônico e correr até um orelhão para uma resenha com tempo limitado? Essa realidade voltou à minha lembrança esta semana, quando meu irmão mais novo me entregou a coleção de cartões telefônicos dele. São quatro pastas com mais de dois mil itens, reunidos durante os últimos 30 anos.
Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou o início da desativação e recolhimento dos quase 38 mil telefones públicos, os nossos queridos orelhões, ainda instalados pelo Brasil. Chegamos a ter 1,3 milhão. É a despedida final desse canal que marcou época na vida de milhões de pessoas em todo o território nacional.


Vão-se os orelhões e ficam os cartões, que substituíram as fichas e, muito além da função prática, se transformaram em itens colecionáveis, com fotos, desenhos e mensagens ligadas às características culturais do nosso país. E, aqui, o futebol entra com enorme presença e diversos momentos eternizados naquelas pequenas chapas de plástico.
Como os cartões eram levados de um lugar a outro, guardados nas carteiras e ficavam um certo tempo com a pessoa que comprava, passaram a ser explorados como mídia publicitária. Havia anúncios de produtos, filmes, novelas, artistas musicais e serviços conectados à paixão brasileira pelo futebol. Cartões de orelhão, em alguns casos, faziam parte de uma sequência especial ou tinham um pedaço de uma imagem que só poderia ser, completamente, visualizada com todos os itens daquela série colocados lado a lado, formando um mosaico.
De volta à coleção que ganhei do meu irmão, o destaque futebolístico é a Seleção Brasileira e as oportunidades de mídia proporcionadas pela Copa do Mundo. Em 2002, quando estávamos lutando pelo Pentacampeonato Mundial na Coreia do Sul e no Japão, as partidas eram realizadas às 3h, 6h, 8h, no Horário de Brasília. Tem problemas para despertar cedo? O cartão do orelhão dava a planta: ligue 134* para o Serviço de Hora Programada e acorde para torcer pelo Brasil.

Após o anúncio da lista de convocados para a Copa de 2002, a CBF abriu um canal para os torcedores ouvirem recados dos atletas. O caminho estava ali, no cartão telefônico: “ligue 0300 313 3000 e ouça, da concentração, os jogadores da Seleção Brasileira”. Era só ir ao orelhão e teclar. Depois que a chamada era atendida, os números de 1 a 9 eram usados para escolher o jogador (ou o treinador), respectivamente: Marcos, Roberto Carlos, Emerson, Juninho Paulista, Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho, Denílson e Felipão.

Brasil Penta, todo mundo feliz e mais uma ação indicada nos cartões de orelhão: “O mundo inteiro respeita esta camisa. Ligue e escute o agradecimento do seu craque à torcida brasileira”. Atenção para o escudo impresso. Antes da Copa, quatro. Depois, cinco estrelas. Este ano, na Copa do Mundo da FIFA 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, não teremos esses cartões. Vinte e quatro anos depois, são inúmeras e ainda mais fantásticas as ferramentas de interatividade e proximidade entre jogadores e fãs apaixonados pela Seleção. Vamos aproveitá-las. E imprimir logo a sexta estrela!



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