Rafael Paiva avalia derrota do Vasco e comenta vaias

15 min


Rafael Paiva, técnico do Vasco (Matheus Lima/Vasco)
Rafael Paiva, técnico do Vasco (Matheus Lima/Vasco)

Após a derrota do Vasco para o Internacional por 1 a 0 em São Januário, o treinador Rafael Paiva cedeu entrevista coletiva onde avaliou o revés e comentou sobre outros assuntos, como as vaias da torcida a ele.

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Durante a coletiva, Paiva teve fala que repercutiu danosamente nas redes sociais. Nessa fala, afirma que não há torcida que vaie como a do Vasco.

“Não vejo torcida vaiar mais jogador do que a torcida do Vasco. Já falei aqui o exemplo do Pec e do Orellano, que eram jogadores vaiados aqui, e um foi o melhor e o outro o terceiro melhor da liga americana. Acho que aqui a gente sofre muito, todo mundo, torcida, estafe, jogadores, por essa ânsia que a gente tem de ver o Vasco onde o Vasco merece estar, que é disputar títulos. A gente tem sofrido muito com isso e acho que o reflexo da torcida é vaiar alguns jogadores, ânsia de ter jogadores que resolvam o problema. Acho que a gente tem que acreditar no processo de que o Vasco tem que ser passo a passo. A gente não pode cair esse ano, a gente tem que brigar por Libertadores, por Sul-Americana, mas a gente tem que ter paciência com o que aconteceu com a 777.”

O treinador aproveitou para falar sobre a perseguição que entende haver a alguns atletas e profissionais do Vasco quando ocorrem momentos adversos na temporada.

“Acho que acaba estourando em alguns jogadores, eu acho injusto. O Léo tem muita qualidade, ele não está à toa aqui. Vejo a mesma coisa o Galdames, é um jogador de nível de seleção chilena. Assim como o Puma foi muito vaiado em algum momento, assim como o Rayan já foi vaiado. Eu não estou defendendo jogadores a qualquer custo, mas eu acho injusto porque são profissionais que se dedicam muito e vão ter mercado quando sair daqui. Então a gente precisa de mais apoio da torcida porque faz muita diferença. O Léo para não ser vaiado tem que fazer uma partida quase perfeita, a gente tem jogadores que às vezes, na minha opinião, erram mais que o Léo e a bomba sempre vai pro Léo, vai pro Galdames.”

Perguntado pelo BTB Sports sobre o desempenho do time nas últimas partidas, Paiva revelou acreditar que o Vasco conseguiu competir, mesmo estando na sua terceira derrota consecutiva.

“Acho que a gente conseguiu competir. Os últimos dois jogos, contra Botafogo e Fortaleza, nos incomodou demais, a gente não conseguiu competir, tomamos aquela quantidade de gols (três em cada jogo) porque a gente saiu muito da nossa característica. Sabemos que temos que competir para equilibrar jogos, fazer jogos melhores e era o que nos levou até onde estávamos na tabela. A gente competiu bem contra o Inter, conseguimos fazer um jogo equilibrado, principalmente no primeiro tempo. No início do segundo tempo a gente até conseguiu jogar, teve um momento que tivemos que trocar para tentar entrar no jogo de novo.”

O treinador detalhou um pouco do que entende ter sido o desenho tático do Vasco na partida.

“A gente equilibrou, sim. A gente sabe da qualidade do Inter, o que faltou para a gente foi colocar bola na rede, tivemos duas ou três chances claras. São três jogos sem fazer gol, e isso vai pesando demais. Eu não tinha perdido ainda em São Januário, a gente competiu, mas não conseguiu ser feliz nas finalizações. No fim fomos para o tudo ou nada e nos desorganizamos. É horrível ter essa sequência, mas as equipes oscilam muito, temos que continuar acreditando. Temos que quebrar logo essa sequência ruim.”

Condição física do time

“Acho que tem a ver. Para mim, neste sentido é o perfil do jogador. O Inter tem um perfil físico de jogadores potentes e rápidos. Em alguns momentos, a gente interpreta que a outra equipe está melhor. Temos jogadores de jogar com a bola no pé, temos poucos jogadores de profundidade. Optamos pelo Maxime, que é mais de controle. A gente sofre muito na transição. Eu não consigo ver essa disparidade física. Temos um perfil do jogo mais de pé, temos o Payet. Não dá para pedir para o Payet atacar o espaço, para o Vegetti puxar o zagueiro para o Payet correr nas costas. O Piton chegou bem ao fundo. Se você opta por uma coisa, perde outra.

Demora para a chegada na coletiva

“A gente estava conversando sobre o jogo, a gente reviu alguns lances. Perdemos tempo conversando sobre o jogo, mas não foi nada demais. Queria vir antes.

Possibilidade de barrar Vegetti do time titular

“A respeito do Vegetti, incomoda demais ele também. Ele teve duas chances de fazer o gol. Aquela bola do tiro de meta do Inter, a gente conseguiu ganhar, o goleiro saiu do gol e ele poderia bater de primeira. Ainda sobrou no Coutinho, que tentou cavar, mas o jogador do Inter tirou na linha. Teve outra bola que quicou e ele chutou por cima. É um jogador experiente, artilheiro da Copa do Brasil, a gente não pode desconsiderar o que fez. É uma liderança, empurra nossa equipe. O Rayan é um menino de 18 anos, às vezes a gente quer colocar responsabilidade gigante nele, de resolver o jogo. Se a gente precisar trocar em algum momento do jogo, a gente pensa nisso. Mas acredito que o Vegetti vai dar a volta por cima e fazer os gols que a gente precisa na fase final.

Mudanças na estrutura do time

“A gente mudou algumas peças e estrutura. A gente defendeu mais compactado hoje. A gente não conseguiu encaixar a transição de gol. Tivemos umas transições, uma o Vegetti estava impedido, ele tentou chegar finalizando. A gente teve bastante escape pela esquerda, com Leandrinho e Piton. Trouxe o Max por dentro. Jogamos com Puma e PH pelo corredor direito. A gente mudou a forma de jogar com os jogadores. Por mais que se coloquem abertos, teve movimento para dentro. Conseguimos fazer coisas diferentes, faltou ser mais mortal, fazer o gol e obrigar o adversário sair. A gente conseguiu usar o corredor esquerdo, conectar algumas bolas para o Vegetti em profundidade. Estamos tentando buscar. Acho pesado achar que só o Vegetti vai fazer o gol. A gente cobra muito deles ter mais jogadores para fazer o gol. Não vamos ficar tranquilos enquanto não buscarmos essa maneira de fazer melhor nos próximos jogos.

Opções por Maxime Domínguez e Leandrinho

“Faz muito tempo que o Max não iniciava um jogo. Então a gente sabia que ele não ia sustentar os 90 minutos, até porque já falei isso alguns momentos. É um jogador que está se adaptando ao futebol brasileiro, que a gente vê com a intensidade muito mais alta, principalmente nas transições, do que o campeonato português, um campeonato de jogo mais posicional, de posse, de marcação mais compactada, tem menos transições. Então ele está se adaptando e hoje ele iniciou o jogo e a gente sabia que ele não ia sustentar. O Leandrinho foi muito bem na minha visão, acho que fez um bom primeiro tempo, conseguiu trazer as coisas que a gente imaginava que ia ter no jogo. No segundo tempo a gente sofreu, ele sofreu, o Inter ficou mais com a bola e a gente não estava conseguindo colocar ele para transitar. Estava defendendo muito bem, mas a gente não estava conseguindo o escape, por isso a gente colocou o Emerson porque ele é um jogador que tem transição, tem drible. O Leandrinho é um jogador de mais profundidade, não é de drible.

Ansiedade do time na busca pelo gol

“Eu acho que a gente fez um jogo equilibrado contra o Inter no sentido de saber defender, controlar o jogo sem a bola, ter a transição, no momento que a gente tinha que ter a bola a gente teve. Eu achei um jogo maduro, principalmente no primeiro tempo. Essa ansiedade, esse destempero, acho que a gente teve depois que a gente tomou o gol e nos 15 minutos finais que a gente foi para o tudo ou nada. Ali a gente poderia ter tomado o segundo gol como a gente tentou fazer o primeiro gol.

Escolha de Galdames por Hugo Moura

“Sobre o Galdames, diferente do Hugo, ele consegue construir um pouco melhor. O Hugo vinha bem, é um jogador que a gente acredita demais. Galdames deu um salto de performance, tem uma bola longa e primeiro toque melhores. A briga está muito saudável. Na verdade, a gente ganhou um jogador. A gente não pode olhar que perdeu o Hugo, a gente ganhou um jogador. O Galdames é inteligente, é uma vaga que a briga está boa. O Hugo entrou bem, foi bem nos treinos. A gente está tentando criar competitividade. Vejo os três num momento melhor que o restante. Independente de quem a gente escolher, vão dar conta. Como o Hugo foi bem com o Cocão. Como o Cocão foi o Galdames. Como já jogou Sforza e Galdames. São jogadores com bastante potencial.

Vaias da torcida

“Eu fui vaiado no primeiro jogo quando a gente eliminou o Fortaleza (na terceira fase da Copa do Braisl). Peguei a equipe duas vezes na zona de rebaixamento, tanto com Ramón quando com o Álvaro. E meu primeiro jogo foi fora contra o Fortaleza e fui vaiado. Faz parte. É uma torcida muito apaixonada e tem sofrido. A gente entende, não levo para o lado pessoal. Todo mundo tem parcela de culpa. Não dá para colocar a culpa num grupo, numa pessoa. A gente está tentando melhorar, precisa melhorar, sim. Quantas rodadas a gente está na primeira página? Quando o Ramón saiu ou o Álvaro saiu, dificilmente alguém ia imaginar que a gente poderia chegar onde está agora. Nos incomoda demais as derrotas, estamos oscilando.

Expectativas para o futuro

“A gente construiu um cenário muito bom que poderia estar muito melhor. Se a gente ganha, estaria a um ponto do G7. Você fica o tempo todo muito próximo da Libertadores, mas se olha para trás as equipes estão se aproximando. O Vasco já vaiou o Dinamite, quem sou eu para achar que não vou ser vaiado? Faz parte da profissão. Enquanto estiver aqui vou tentar levar a equipe para o melhor lugar possível. A gente acredita numa Libertadores, num G7, num G8 ou G9. Sou extremamente grato ao Vasco por tudo que me proporcionou, pelo que sou hoje, por 34 jogos na Série A do Brasileiro. Independentemente do que aconteça, do que a torcida canalize em mim, vou sempre ser grato ao Vasco e a tudo que aconteceu aqui.

Qual a briga do Vasco nesse momento?

“A gente tem que brigar pela Pré-Libertadores, pelo G-7, acreditando que o G-7 pode virar um G-8 e até um G-9, porque a gente estava há muitas rodadas nesta colocação, em nono, em oitavo. A gente tem que acreditar que a gente vai chegar lá e, no pior cenário, teremos que brigar pela Sul-Americana. É por isso que vamos brigar nesses quatro jogos.

Postura tática do Vasco

“A gente tem conseguido construir, hoje achei que a gente conseguiu ficar com a bola. O Max é um jogador que nos trouxe o jogar entre as linhas, conseguiu fazer a bola circular de um lado para o outro. Gostaria de terminar (a jogada) mais por dentro, mas foi o nosso forte o ano todo, terminar jogadas pelo lado. Temos o melhor cabeceador do futebol brasileiro e temos que jogar com essa característica. Não posso falar sobre reforços, tenho que trabalhar com o grupo que tenho, perdemos peças importantes, não tem como usar isso como desculpa o tempo todo. Tenho que trabalhar com a característica do jogador. Acho que a gente criou mais, mas não conseguimos o gol.

Onde você se vê em 2025?

“Eu tenho que trabalhar pensando em entregar o Vasco na melhor posição possível. Depois da temporada, vou conversar com o Pedrinho, Felipe, Marcelo (Sant’Anna). Para mim tem sido uma experiência incrível, tenho tentado entregar meu melhor, tentar deixar o Vasco onde merece, mas temos que entender o processo e ter paciência.

Equipe atingiu o teto técnico?

“Injusto falar que o grupo não pode entregar mais. A gente chegou a uma semifinal da Copa do Brasil. Desde que cheguei passamos por quatro enfrentamentos com times da Série A. Isso é muito difícil. Conseguimos em algum momento da temporada chegar a oito jogos de invencibilidade com esse grupo. Sequência de quatro vitórias com esse grupo. Claro que perdemos Adson e David, dois jogadores fundamentais. Mas temos que acreditar que outros jogadores possam entregar o que eles entregaram também, com características diferentes. É um campeonato difícil, muitas equipes oscilam. Equipes que estavam com sequência boa, às vezes não conseguem mais vencer. Está todo mundo sofrendo, é normal. A gente tem total capacidade de brigar por uma Pré-Libertadores. A gente vai lutar muito por isso e acho que podemos entregar com os jogadores que temos. A gente já teve oscilação pior. Já ficou uma maior sequência sem ganhar. Precisamos dar uma resposta logo, uma vitória já muda o ânimo, muda tudo. A gente precisa buscar ela contra o Corinthians.

Leia mais: Com futuro indefinido, Evander revela desejo de retornar ao Vasco


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Eduardo Alves

Eduardo Alves

Jornalista, 20 anos.

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